Mulheres serão maioria na indústria das histórias em quadrinhos em uma década, diz Time

Sexta-Feira, 1 Maio 2015
Time Magazine

“Acredito que dentro de oito anos veremos uma maioria feminina tanto na indústria de quadrinhos, como entre os leitores de HQs.” É com esta afirmação contundente que o pesquisador de histórias em quadrinhos e cartunista Scott McCloud crava o surgimento de uma revolução no meio artístico. O texto foi publicado hoje no website da revista norte-americana Time.

Em tempos de renovação de público devido aos filmes baseados em histórias em quadrinhos, a presença feminina tanto na indústria quando na força de personagens mulheres tem sido bastante questionada. Com a estreia de Os Vingadores: A Era de Ultron, uma parcela do público protestou por haver apenas duas heroínas – Viúva Negra e Feiticeira Escarlate – no meio de um elenco dominado por homens.

McCloud, por sua vez, prefere abordar em seu texto a formação de novas leitoras e profissionais da indústria em quadrinhos independentes, e também produzidos para todas as idades, do que se focar majoritariamente no mercado de super-heróis.

O Dia do Quadrinho Gratuito nos Estados Unidos

McCloud abre seu texto afirmando que “não há nada como ver novos leitores entrando no mundo dos quadrinhos.” Para ele, não há oportunidade melhor do que o Dia do Quadrinho Gratuito (Free Comic Book Day), onde amanhã lojas e editoras norte-americanas distribuirão HQs para quaisquer pessoas dispostas a adquiri-los. A data já é tradicional no país.

“Uma das coisas mais bacanas acontecendo agora nos quadrinhos é que o movimento que produz histórias para todas as idades tem estado bastante aquecido, e hoje há muito mais quadrinhos para crianças do que antigamente”, diz McCloud.

“Ler e escrever tem sido uma parte mais ativa da vida do que em muitos anos, certamente mais do que quando eu era uma criança. Existe uma geração jovem que de fato está lendo e escrevendo mais”, argumenta o pesquisador.

Aumento de qualidade e novos fãs

Para McCloud, serão estes novos quadrinhos para crianças que renovarão de fato toda a indústria dos quadrinhos, e não a permanência dos super-heróis nas telonas: “A qualidade está melhorando, e mais crianças estão lendo.”

McCloud lembra que a indústria tem estado tão restrita nas últimas décadas, muito devido aos aumentos de preços no mercado, que “nós geralmente nos focamos apenas na ideia de novas crianças lerem HQs. Não vemos, no entanto, que o que deveríamos celebrar é o poder das histórias e de suas ideias, das maneiras que um roteirista pode se comunicar com uma audiência mundial.”

Um mercado de leitoras

O pesquisador, que tem entre seus livros publicados no Brasil as obras “Desvendando os Quadrinhos”, “Reinventando os Quadrinhos”, e “Desenhando Quadrinhos”, é categórico ao dizer que “os quadrinhos estão gerando toda uma nova geração de leitores, e muitos deles são garotas.”

Para o autor, “estamos presenciando uma mudança na demografia de leitores e criadores, tanto que acredito que dentro de oito anos veremos uma maioria feminina tanto na indústria de quadrinhos, como entre os leitores de HQs.”

McCloud diz que a mudança de paradigma aconteceu “durante a invasão dos mangás. Muitas pessoas passaram a dar atenção aos quadrinhos japoneses quando eram jovens – a maioria mulheres – e então passaram a devorá-los vorazmente na década de 1990.

Atento, o estudioso afirma lembrar ter pensado na época que “essas crianças vão crescer, algumas delas entrarão em alguma escola de arte, e então passarão a contar suas próprias histórias. Elas terão aprendido com o mangá, mas não contarão histórias sobre ninjas, robôs gigantes, nem colegiais japonesas. Elas contarão histórias sobre pessoas e lugares que conhecem.”

McCloud conclui que “é exatamente isso que está acontecendo. A situação explodirá como uma bomba atômica, e mudará de uma vez pro todas a cara dos quadrinhos.”

Mulheres nos quadrinhos

Aproveitando o texto de McCloud, nós do Luminota reunimos uma lista com algumas das personalidades femininas que devem ser lidas no mercado de histórias em quadrinhos hoje. Confira:

A produção norte-americana hoje apresenta toda uma geração de quadrinistas mulheres que não estava na indústria antes da virada para o século XXI: Hope Larson, Becky Cloonan (que hoje é autora de uma revista no universo Batman), Jen Van Meter, Kelly Sue DeConnick (que trabalha com os Vingadores), Sara Pichelli (desenhista de Homem-Aranha), a premiadíssima colorista Laura Martin, Fiona Staples (Saga), Ming Doyle e Pia Guerra.

Na década de 1990, as expoentes femininas das HQs eram menores: Louise Simonson (roteirista de X-Men), Jill Thompson e Coleen Doran (ambas artistas de Sandman, de Neil Gaiman), e as editoras Shelly Bond e Karen Berger.

Já no Brasil, há Ana Luiza Koehler, a colorista Cris Peter (que faz trabalhos para o mercado norte-americano), Bianca Pinheiro (Bear), Fernanda Nia (Como eu Realmente), Mariana Cagnin (Vidas Imperfeitas), Fefê Torquato (Gata Garota). Todas são publicadas por grandes editoras, e suas obras são facilmente encontradas em livrarias e lojas especializadas do país.

 

Escrito por: Artur Tavares

Mais Notícias: Arte & Entretenimento

  • Drake é o artista que mais vendeu em...

  • MIA vai curar o festival...

  • Iate de James Bond está sendo...

  • Morgan Freeman será embaixador da Turkish...

  • Museu da Força Aérea americana tem aumento de...

  • Museu da Aviação recebe nova...

  • Aeroporto de Heathrow vira tema de...

  • The Jesus and Mary Chain lança primeiro disco em 18...

  • Diretor de teatro pede que Putin proteja a liberdade de...

  • Selena Gomez é a pessoa mais popular do...